Caracterização

Paião é uma freguesia portuguesa do concelho da Figueira da Foz, , situando-se no sul do concelho entre as freguesias de Lavos, Marinha das Ondas e Alqueidão. Localizada a aproximadamente treze quilómetros da sede de concelho, Figueira da Foz, é conhecida como “A TERRA DOS ALFAIATES”, por ter sido a actividade dominante em outros tempos. Nesta Freguesia, a partir da Fonte de São João, é possivel obeservar uma vista panorâmica sobre os campos do Mondego e da Figueira da Foz. Confina com as Freguesias de Lavos, Alqueidão, e Marinha das Ondas, todas elas pertencentes ao Concelho da Figueira da Foz. É composta pelos lugares de Paião, Bizorreiro, Vales, Casal Verde, Asseiçó, Telhada, Vale Vendeiro, Seiça, Sipreste, Casal Novo, Copeiro, Outeiro, Borda do Campo, Atouguia, Calvino, Casenho, Porto Godinho e Serrião (que se subdivide em Serrião e Serrião Alto) e Sobral.
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ATOUGUIA
Esta palavra poderá ter a sua origem, por nos seus campos pastarem manadas de touros, conforme era costume nas terras realengas no Reinado de D. Pedro I (1357-1367), dando lugar, por tal motivo, à designação de Atouria ou Touria, Tauguia, e com os tempos se tornou Atouguia. (PEREIRA, Esteves e RODRIGUES, Guilherme, Portugal: Dicionário Histórico, Chorographico, Biographico, Bibliographico, Heráldico, Numismático e Artístico, vol. 1, p. 855)
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CALVINO
É a única povoação que se conhece com este nome em Portugal. O seu nome poderá advir das características dos seus terrenos, calvos, sem grande revestimento vegetal.
Apesar desta povoação não vir referida nas “Memórias Paroquiais de 1758″, existem registos da mesma já em 1655. De acordo com os registos dos livros paroquiais da freguesia de Paião, nomeadamente no livro de assentos de óbitos, arquivado no Arquivo Distrital da Universidade de Coimbra, encontra-se a referência ao falecimento de Manuel Lopes, residente no Calvino, em 2 de Agosto de 1655.
 
CASENHO
Com tal designação só se conhece esta localidade.
Talvez tenha inicialmente feito parte da Ribeira de Seiça, por estar no seu prolongamento. Contudo, é provável que deva a designação ao facto de aí existirem 5 ou 6 azenhas de água. Seria inicialmente constituída destas pequenas casas onde estavam instaladas as azenhas. Daí, possivelmente, casa + azenha – casenha ou Casenho. (FONSECA, Manuel Pereira da, O Mosteiro de Seiça e as Povoações da Borda do Campo – Notas para uma Monografia Rural, Lisboa, 1987, p. 44)
Nos livros paroquiais do Paião encontra-se a primeira referência a esta povoação em 1615, no livro de assentos de nascimentos, da freguesia de Paião, arquivado no Arquivo Distrital da Universidade de Coimbra.
 
PORTO GODINHO
A povoação de Porto Godinho, partilha a denominação com outra povoação existente do outro lado do Rio Pranto, na freguesia de Vinha da Rainha, concelho de Soure.
 Neste lugar, o antigo estuário do Rio do Rio Pranto (também conhecido por Rio Carnide, ou do Louriçal) teria menor largura, permitindo melhores condições para estabelecer a ligação entre as duas margens, daí a origem da designação de porto, local de passagem.
 A denominação Porto Godinho é de origem germânica. De acordo com Augusto Santos Conceição, no seu livro “Soure: a terra abençoada da Pátria”, (Coimbra, 1942, p. 306-7), esta aldeia deve ser anterior a 987 d.C. (e cita Pedro de Azevedo). Pela palavra “porto” se entendia, noutros tempos, entrada, porto, garganta de monte ou passagem – quer do mar ou do rio, para terra, quer de uma terra para a outra – atravessando alguma eminência ou cerro”.
Manuel Mateus Galhardo, vigário do Paião de 1757 a 1767, ao responder ao inquérito do Rei que posteriormente deu origem ao livro “Memórias Paroquiais de 1758”, já faz referência à existência de 33 casas e de 91 habitantes no Porto Godinho, sendo a mais populosa das povoações referenciadas (sendo as restantes Sobral, Atouguia e Serrião).
 
SERRIÃO
Para este topónimo não se vislumbra nenhuma origem. No entanto, é também designação única. Talvez deva o seu nome ao facto de estar colocado no alto de um serro ou também cerro (outeiro). (FONSECA, Manuel Pereira da, O Mosteiro de Seiça e as Povoações da Borda do Campo – Notas para uma Monografia Rural, Lisboa, 1987, p. 44)
 
SOBRAL
Esta localidade terá a sua designação ligada ao revestimento vegetal. É provável que aí fosse uma mata de sobreiros. Embora não saibamos a sua origem, sabemos que existia no ano de 1520, quando um seu morador consta no contrato de aforamento da Calçada ao Mosteiro de Seiça. (MADAHIL, António Gomes da Rocha, Documentos medievais do Convento de Seiça certificados por Joaquim de Santa Rosa Viterbo, Revista de Guimarães, volume especial comemorativo dos Centenários da Fundação e Restauração de Portugal. Edição da Sociedade Martins Sarmento, subsidiada pela Câmara Municipal de Guimarães, 1940, p. 66)